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Sobre a Conjuntura – 30/03/2023, Por Ranulfo Peloso

A história expressa a luta de classe entre caça e caçador. Às vezes, a disputa vira guerra - é a política de outra forma. Com violência, o caçador tenta impor sua supremacia e garantir seus interesses materiais e ideológicos. Por isso, vê e conta a guerra de seu jeito, cria narrativas para legitimar suas ações de agressão e convencer a todos que suas ações são justas.

A caça tem outro olhar sobre os fatos. Cercada, aprisionada ou domesticada, consciente ou inconsciente, divulga suas razões e sua causa. Seu objetivo é livrar-se da opressão e fazer valer sua versão da história.


Por que a Guerra na Ucrânia?

Os discursos escondem ou enfeitam os motivos da guerra. Há 26 guerras hoje no mundo, mas se fala mais da Ucrânia. A maioria dos noticiários, redes sociais, discursos, pregações, análises, repetem sempre o mesmo refrão: dizem que é uma guerra da democracia contra autoritarismo, o rompimento da soberania e da autodeterminação. Isso mostra a quem servem as mídias e prova que o ideário capitalista é infinitamente hegemônico.

A guerra é uma forma do capitalismo sair da longa e profunda crise política, econômica, social, ambiental, sanitária. A guerra da Ucrânia tem dimensão ideológica - confronta dois modelos de desenvolvimento.

Um é liderado pelos EUA, o país capitalista mais rico, bem armado com avançada tecnologia, mas, sem capacidade produtiva. Vive um processo de decadência, com conflitos internos e 42 milhões de pobres, em seu território.

O outro é liderado pela China, com 1 bi e 400 milhões de habitantes. País socialista que virou a fábrica do mundo, com poder tecnológico, produtivo e militar. Hoje, faz distribuição da riqueza e propõe a ideologia da "parceria e prosperidade comum”.

A guerra é contra a China e seu modelo de desenvolvimento. Faz parte da estratégia do Império que apoia e promove as ações da direita, através de golpes, sangrentos ou suaves, invasões e eleições manipuladas.

A Ucrânia apoiou o nazismo, tem um comediante no posto de comando, e foi empossado pelo Império. Tem pouco poder econômico e militar. Sua pretensão é ser Europeu e ser da OTAN (aliança militar ocidental que tenta controlar a Rússia). Usar a Ucrânia ajuda no avanço do cerco ao território chinês. O Império ganhou esse aliado e enfrenta a Rússia tentando quebrar sua aliança comercial com a China.

Putin é um Czar que carrega a experiência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Para ele nada pode ser mais cruel que as sanções de 1914 e 1917 quando foi demonizada, chantageada e boicotada, por ter se tornado uma grande potencial mundial

No mundo globalizado, as sanções prejudicam todo os países. Só que a Rússia se preparou: fez caixa, diminuiu a dependência do ocidente, costurou aliados e fortaleceu seus negócios com a China. A Europa se dobrou à chantagem do Pentágono e a ONU segue cumprindo seu papel de apoio às ações do império.

O Brasil defende a soberania territorial de cada nação, mas não se envolve em seus assuntos internos. O novo governo prega um mundo multipolar e usa seu prestígio para estimular o diálogo e uma saída diplomática para a guerra.

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